Bem hoje passei só para postar um techo da entrevista do prêmio nobel deste ano dado a Mario Vargas Llosa.
Ao qual gostei muito, até por isto procurei os livros dele, lê Pantaleon e as visitadoras, adorei (irei depois postar a resenha) porém agora postarei a entrevista que o premios nobel consedeu ao jornal Folha falando sobre os escritores brasileiros, acompanhem...
O Brasil merecia ter tido um Nobel, diz Vargas Llosa
Para o peruano Mario Vargas Llosa, 74, recém-anunciado vencedor do Nobel de literatura, ao menos três brasileiros poderiam ter ganho o prêmio: Guimarães Rosa (1908-1967), Jorge Amado (1912-2001) e Euclydes da Cunha (1866-1909).O primeiro, segundo ele, foi prejudicado pela dificuldade de se traduzir sua obra. O segundo, pela característica de escritor popular.
Segundo Vargas Llosa, "Os Sertões", de Euclydes, no qual se baseou para escrever "A Guerra do Fim do Mundo", permite compreender não só o conflito de Canudos, mas a América Latina.
Em conversa com jornalistas da Folha no auditório do jornal, ontem à tarde, o Nobel afirmou que a literatura é uma negação da realidade "queira ou não o escritor". "Se estivéssemos contentes com o mundo tal como é, com a vida tal como é, não inventaríamos outro mundo."
Autor de romances baseados em ditadores latino-americanos, disse que não escreverá mais sobre esses personagens. "Quando se escreve sobre um ditador, escreve-se sobre todos. Eles repetem a si mesmos como maníacos."
Vargas Lllosa falou pouco sobre seu Nobel. Confirmou a história de um xamã andino que, a partir de folhas de coca, previu que ele ganharia o prêmio. "Não acreditava muito na coca, mas parece que ela tem uma sabedoria", afirmou, aos risos.
NOBEL BRASILEIRO
Não está certo [que nenhum brasileiro tenha recebido o prêmio]. Deveriam ter recebido. Guimarães Rosa mereceria, sem dúvida alguma. É um dos grandes escritores latino-americanos de seu tempo, pelo vigor e pela ambição da obra, pelo trabalho linguístico extraordinário.
Um dos problemas que teve é que sua obra é muito difícil de traduzir, precisamente pelo trabalho linguístico tão elaborado. As traduções não conseguem estar à altura do que são os livros, sobretudo "Grande Sertão: Veredas", uma obra-prima absoluta.
Teve um tradutor espanhol que havia traduzido muitas coisas do português e com muito acerto, mas se encontrou com "Grande Sertão" e tentou uma fórmula que foi um fracasso absoluto. Tentou utilizar distintas variantes do espanhol, da maneira de falar no México, na Argentina, no Caribe. Então o que saiu foi uma espécie de um mostruário linguístico que em muitas páginas parecia caricatural. Por isso acho que em espanhol Guimarães Rosa não teve o reconhecimento que merecia.
JORGE AMADO NO CÉU
Jorge Amado teve um grande reconhecimento universal. Foi realmente lido em todo o mundo. e um dos escritores do seu tipo que mais público e mais traduções alcançou. E dia que a Academia Sueca não havia lhe dado o prêmio por ser tão popular. Porque existe o preconceito de que se um escritor é muito popular não é um grande escritor.
Com Jorge Amado houve uma coisa interessante: quando começou a escrever parecia um escritor velho. Seus primeiros romances são muito sérios, as pessoas quase não riem. Era um escritor mais ideológico, de denúncia social, muito sério. E à medida que foi amadurecendo e envelhecendo, foi se tornando cada vez mais jovem como escritor. É muito interessante, os livros de Jorge Amado maduro, mais velho, são livros de uma vitalidade juvenil, cheios de amor à aventura, à vida material, ao sexo, à comida, com uma grande picardia, um gosto pela vida material, do corpo. Um escritor que foi rejuvenescendo à medida que envelhecia. Um caso bastante original.
Sou muito agradecido pessoalmente a Jorge Amado, porque quando estava escrevendo "A Guerra do Fim do Mundo" ele foi muito generoso, me ajudou muito, me apresentou pessoas, me apresentou à pessoa que me acompanhou na viagem ao sertão, Renato Ferraz, amigo dele.
Brincávamos com um amigo que nos perguntava: quantos dos escritores que conhecíamos iriam ao céu, se é que o céu existe. Entrevam muitos poucos, mas na seleção sempre aparecia Jorge Amado.
EUCLYDES E "OS SERTÕES"
A comparação [de "A Guerra do Fim do Mundo" com "Os Sertões"] é muito simples. Em meu romance há um personagem inspirado em Euclydes da Cunha e isso já marca uma diferença grande com "Os Sertões". O jornalista que é o personagem central de ''A Guerra do Fim do Mundo" é inspirado em Euclydes da Cunha. Euclydes da Cunha foi a Canudos como jornalista, como correspondente, e não viu o que ocorria ali. Viu o que trazia na cabeça o que queria ver, porque padecia de uma imaginação que todo o Brasil vivia, que o governo vivia em relação a Canudos. E por isso é tão fascinante ler as reportagens que ele escreveu do campo de batalha e cotejá-las com a versão que ele mesmo [escreveu depois], quando se pôs a investigar e analisar o que havia ocorrido, espantado com o que havia ocorrido, e esse cotejo nos resulta fascinante, porque é um cotejo entre a realidade a a ficção.
A mim impressionou tanto a história de Canudos quanto o caso do próprio Euclydes da Cunha, porque ele viveu essa guerra de uma maneira tão dramática e tão dilacerada que permitia ver até que ponto um país inteiro viveu um mal-entendido tão grande, uma cegueira tão grande, que é o que explica a matança. A matança é resultado desta incomunicação entre dois segmentos da sociedade brasileira, um moderno e outro primitivo, que viveram ambos como verdade uma ficção. O Brasil moderno, o Brasil republicano foi destruído na rebelião antirrepublicana movida por forças sinistras _os latifundiários, os monarquistas, a Inglaterra e os sertanejos se levantaram contra o diabo. A República era instrumento do diabo. Nunca houve uma comunicação que pudesse dissipar esse mal entendido e evitar essa terrível matança. O Brasil viveu esse estado de coisas de uma maneira muito dramática em Canudos, mas praticamente toda a América Latina o viveu. Com variantes, essas divisões, essas incomunicações dogmáticas intolerantes, intransigentes, estão por trás das grandes rupturas, das grandes tragédias sociais e políticas que a América Latina em toda a sua história. Talvez por isso me fascinou tanto esse livro de Euclydes da Cunha. Por que o lendo se entende não apenas o que passou, mas entende-se a América Latina.
Bem só postei aqui no blog a parte que ele diz sobre os escritores brasileiros que mereciam ter ganhado o nobel, para você ler a entrevista completa acesse:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/814395-o-brasil-merecia-ter-tido-um-nobel-diz-vargas-llosa.shtml
Fonte: Folha.com
Abraços e uma boa semana!



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